· Contexto intelectual
O movimento cubista é contemporâneo das correntes expressionistas, onde também começa por se inserir com novas propostas formais. Surge também em Paris, quando Picasso conclui o quadro As Meninas de Avinhão, em 1907, e confirma-se em 1908, no Salão de Outono, no decurso da exposição organizada por Georges Braque. Desta vez, aos críticos, entre os quais se destacou Matisse, ressaltaram os "pequenos cubos" que compunham as produções pictóricas de Braque.
Os pintores cubistas foram profundamente marcados pelo geometrismo de Cézanne, mas não ficaram indiferentes à influência da arte africana que, nesta altura, fazia moda nos círculos artísticos da Europa.
· Mensagem
Combinando os diferentes planos em que o objecto pode ser observado, os pintores cubistas conseguem desmantelar por completo a perspectiva, a regra máxima da representação clássica, e propor uma visão intelectualista do espaço. Consideram os cubistas que a perspectiva clássica só permite uma visão parcelar da realidade representada. Ora, para os cubistas, além da realidade imediatamente visível existe outra realidade que só pode ser vista em diferentes momentos e quando observada nos seus diversos ângulos de visão.
· Estrutura formal
Fases do cubismo:
- Fase do Cubismo Cézzaniano
- Fase do Cubismo Analítico
Nesta fase da criação cubista, os artistas procederam à minuciosa decomposição dos motivos em planos segundo os vários ângulos de visão, reduzindo-os a uma articulação dinâmica de pequenos sólidos geométricos (cones, cilindros, cubos e outros poliedros) considerados as formas primárias constituintes dos objectos.
Para conseguirem um geometrismo mais perfeito das formas, procederam à eliminação de todos os elementos acessórios e deram menor importância à cor que limitam ao azul, cinzento e castanho.
Nesta fase, as pinturas cubistas evidenciam uma total separação entre a representação figurativa dos objectos e a sua realidade natural, isto é, os quadros cubistas constituem unidades autónomas sem qualquer ligação com a Natureza. As estruturas são predeterminadas e os objectos figurados são pura criação subjectiva, o que nos leva a considerar o cubismo um movimento precursor do abstraccionismo.
- Fase do Cubismo Sintético
Nesta segunda fase, denominada de Cubismo Sintético, como que reconhecendo a excessiva abstracção que estavam a incorrer, os pintores cubistas iniciam-se num processo de recriação da realidade representada através da síntese mais coerente e mais lógica dos elementos fundamentais antes analisados.
Nesta nova fase, regressa a cor à qual se juntam outros materiais, como fragmentos de papel, cartão vidro, areia, tecidos, cordas, palhas e outros que, colados na tela, acentuavam a essência e a verdade pretendidas pelos criadores cubistas.
O Expressionismo figurativo está também presente nesta fase do cubismo. Uma das obras mais notáveis de Picasso é o quadro Guernica, nome de uma cidade basca violentamente bombardeada pelos alemães, durante a guerra civil.
Nesta obra, o autor consegue representar os horrores da guerra através da expressão de sentimentos de sofrimento e de revolta que dominam os elementos constituintes da tela.
· Principais praticantes
Além de Picasso e de Braque, executaram obras cubistas outros pintores como Fernand Léger, Délaunay, Picabla e Duchamp.
domingo, 21 de janeiro de 2007
o expressionismo alemão e a libertação da arte pelas formas

· Contexto intelectual
Este movimento artístico desenvolveu-se em algumas cidades alemãs, a partir de 1905, com o grupo de pintores autodenominado Oie Brücke (A Ponte). Tratava-se de jovens pintores libertários, fortemente críticos do conservadorismo e da moral burgueses de que pretendiam afastar-se, preferindo afirmar-se como ponte de união de todos os elementos agitadores e revolucionários.
Os pintores expressionistas deixam transparecer fortes influências do cromatismo de Van Gogh e de Munch, além de muitos outros artistas de inspiração impressionista, corrente de onde são originários.
A simplicidade e o primitivismo de algumas das suas produções revelam também influências da arte africana
O movimento Oie Brücke dissolveu-se em 1913, mas outros grupos continuaram a praticar a pintura expressionista até 1933, altura em que praticamente desapareceu dos cenários artísticos com a tomada do poder pelos nazis.
· Mensagem
Foram apelidados de expressionistas porque, nas suas produções artísticas, repudiaram a materialização de impressões objectivas e afirmaram a pintura como expressão instintiva e individual de sentimentos, energias e tensões inerentes à vida humana e à aventura da existência, normalmente geradas na angústia e nos dramas interiores vividos pelo Homem.
Com este tipo de produções, visaram denunciar o mal-estar vivido nas primeiras décadas do século, sobretudo nas classes operárias oprimidas e exploradas, provocado pelo ambiente de tensão política pelos desajustes sociais e pela crescente massificação e consequente desumanização das cidades e do trabalho.
Nas pinturas expressionistas alemãs, predominam cenas de rua e retratos onde sobressaem a angústia, os desesperos, os dramas e a miséria social que marcavam o ser humano.
· Estrutura formal
Para traduzir aqueles sentimentos, os pintores expressionistas produziram composições simples, e, certo modo, evidenciando algum primitivismo e ingenuidade. Mais do que a temática, o que sobressai na pintura expressionista é a deformação intencional das imagens visuais através do recurso à pincelada larga e a uma vasta gama cromática marcada pela violência de cores fortemente intensas, contrastantes livremente aplicadas.
· Principais praticantes
Os mais típicos cultores do Expressionismo alemão foram os fundadores do grupo Die Brucke: kirchner, Heckel, e Schmidt-Rottluf
Com a extinção deste grupo em 1913, outros surgiram, como o Der Blaue Reiter (O Cavaleiro Azul) criado em Munique por Vassily Kandinsky e Franz Marc, que adoptaram um desenho menos pesado e mais, intelectualizado que irá cair no Abstraccionismo.
Foram ainda praticantes do Expressionismo August Macke, Paul Klee, Otto Dix, Emil Nold, Max Pechstein e Klimt.
o Fauvismo francês e a libertação pela cor

· Contexto
De formação anterior ao movimento alemão, afirma-se também em 1905, altura em que um grupo de pintores franceses organiza, em Paris, no Salão de Outono, uma exposição das suas obras. Expondo quadros de Henri Matisse, André Derain, Maurice Vlaminck, Georges Rouault, esta mostra constituiu um escandalo à época, bem maior que o protagonizado pelos impressionistas no século anterior.
Nesta cidade, a novidade artística proposta pelo vanguardismo dos autores expostos provocou fortes reacções dos críticos apreciadores da pintura tradicional, escandalizados com as temáticas expostas e suas formas. Pejorativamente, apelidaram os organizadores da exposição de fauves (feras) e fauves passaram a ser também as suas produções quando comparadas com as obras inspiradas no racionalismo clássico.
Em resposta, num acto de clara provocação, os organizadores da exposição adoptaram esta denominação para o seu movimento.
· Mensagem
Apesar de formalmente se aproximar da pintura expressionista, a pintura fauvista é menos intervencionista. Os seus praticantes recusaram tratar questões de índole psicológica ou social e, por isso, alhearam-se das preocupações com a expressão dos sentimentos e crítica social que marcou o movimento alemão.
Como movimento de vanguarda, os fauvistas repudiaram o convencionalismo académico da pintura tradicional patente no traçado rigoroso da perspectiva e pormenorização das formas. Em contrapartida, afirmam a autonomia da obra de arte relativamente à realidade que motivava as produções clássicas, confinando a expressividade das suas produções à cor.
· Características:
O Fauvismo é a exaltação da cor. É através da cor que as formas fauves encontram expressão. Para o conseguirem, tal como os expressionistas, os fauvistas recorrem a cores fortes que aplicam no estado puro, a tonalidades fortemente contrastantes aplicadas de forma arbitrária, ora recorrendo à pincelada curta ao gosto dos pontilhistas, ora à pincelada larga de que resultavam grandes manchas cromáticas de tons intensos e pastosos, onde a modelação das formas era descurada. com o fauvismo, o colorido autonomiza-se do real, não tendo as cores que concordar com o objecto representado.
· Autores
O movimento fauvista foi de curta duração. Não teve, por isso, grandes repercussões enquanto escola artística. Os grandes pintores fauvistas saíram do Salão de Paris. Henri Matisse, André Derain, Georges Rouault, Maurice Vlaminck são os maiores representantes.
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